Um relicário da resistência – Carta familiar (década de 1970)

Essa é uma carta carregada de afetos. Foi escrita por uma filha à mãe em um momento de separação, em meio a um período político turbulento. Durante cerca de 40 anos permaneceu guardada, dobrada, no fundo do oratório da destinatária — sem a proteção sequer de um envelope. Cada uma das duas folhas era feita de um papel distinto e se deteriorou de formas diferentes, apresentando principalmente rasgos, dobras e fragilidade. O desafio era devolver a carta ao oratório, agora protegida para o futuro.
As cartas foram cuidadosamente higienizadas, com os rasgos reparados e a folha mais frágil fortalecida por um papel leve e compatível. Cada dobra recebeu reforço, para que o gesto de abrir e fechar não mais ameaçasse sua integridade. Por fim, uma caixa foi confeccionada, permitindo que a carta voltasse ao oratório protegida e preservada.


